quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Jogos e atividades para Autistas


PARECE AUTISMO, MAS NÃO É!



Muitas vezes, pais e responsáveis podem confundir os traços de outros distúrbios com comportamentos autistas. Por isso, a avaliação médica, é a melhor forma de identificar o transtorno. De acordo com a psiquiatra e neurocientista Célia Cortez, é importante que se tenham critérios bem definidos para o reconhecimento do autismo, pois o diagnóstico diferencial é uma das grandes dificuldades encontradas na prática clínica.

CONFUSÃO
Segundo Cortez, qualquer um dos transtornos invasivos do desenvolvimento (como síndrome de Rett e de Asperger ou transtornos desintegrativos da infância) podem ser confundidos com o autismo. Contudo, para outros especialistas, o autismo pode ser um dos sintomas de síndromes como a de Rett e do X-frágil. "Hoje, estamos verificando que mutações em genes da via do gene da síndrome do X-Frágil (FMR1) podem causar o autismo", explica a professora de genética Maria Rita dos Santos.
Confira, a seguir, as diferenças e semelhanças de síndromes e distúrbios que podem provocar equívocos:

HIPERLEXIA
Definição: habilidade precoce em decodificar palavras sem a presença de instrução formal. Contudo, muitas vezes, as crianças não entendem tudo o que leem.
Quando surge: entre dois e três anos de idade, demonstrando capacidade de leitura antes dos cinco.
Semelhanças: indivíduos com hiperlexia existem comportamento social atípico, o que faz com que seja confundida com a síndrome de Asperger. Também apresentam dificuldade no processamento da linguagem oral.
Diferenças: crianças tendem a perder as características autistas conforme desenvolvem as habilidades de linguagem. "Além disso, as alterações na capacidade linguística não se encontram relacionadas com as interações sociais, e não há padrões de comprometimento motores repetitivos e estereotipados característicos do autismo", explica Cortez.

HIPERATIVIDADE
Definição: estado excessivo de atividade mental (fluxo intenso de pensamentos) ou física.
Quando surge: ainda durante a infância e afeta, principalmente, indivíduos do sexo masculino.
Semelhanças: em pessoas com TEA, a hiperatividade é ritmada. com a mesma sequência de movimentos. Ademais, pode cessar, diferente do que acontece com a criança que não apresenta o autismo e está em constante agitação.
Diferenças: não há dificuldade de socialização, apenas de concentração e, consequentemente, de aprendizado. Os principais sintomas em crianças são inquietação, movimentação contínua dos pés e mãos, dificuldade para permanecer sentada e fala excessiva.

SÍNDROME DO X-FRÁGIL
Definição: condição genética associada a debilidades intelectuais, problemas de aprendizado e de comportamento. É causada pela ausência ou redução das funções do gene FMR1, responsável por produzir a proteína FMRP (que atua na maturação das sinapses no cérebro).
Quando surge: pode ser diagnosticada durante o pré-natal por meio da análise do DNA.
Semelhanças: além da ansiedade e do comportamento hiperativo ou impulsivo, os indivíduos apresentam atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem, que afetam a comunicação.
Diferenças: pode ser identificada por exame genético e também pelas características físicas como face mais alongada, esta larga, orelhas grandes e em abano, articulações flexíveis, pés planos, entre outras.

DEPRESSÃO
Definição: doença psiquiátrica que provoca a alteração no humor.
Quando surge: manifesta-se entre os seis e 12 anos de vida.
Semelhanças: segundo Célia Cortez, existem sintomas semelhantes como "dificuldade de concentração, falta de iniciativa, tronco arqueado, isolamento e apatia, baixa atenção nas atividades ao seu redor, tônus muscular reduzido, sensação de cansaço, fraqueza e agressividade'>
Diferenças: não há estereotipias motoras que são características motoras que são características do transtorno autista.

SÍNDROME DE RETT
Definição: doença com causa genética associada a mutações no gene MECP2, localizado no cromossomo X. A proteína que codifica é defeituosa e não silencia genes que deveriam estar "desligados" durante fases específicas do desenvolvimento do sistema nervoso central.
Quando surge: entre os dois e quatro anos de vida. Entretanto, o desenvolvimento neurológico pode ser prejudicado desde os seis meses de idade. Atinge predominantemente indivíduos do sexo feminino.
Semelhanças; crianças apresentam comprometimento da linguagem e podem demonstrar dificuldade de interação social nos anos pré-escolares.
Diferença: de acordo com Célia Cortez, a síndrome de Rett se difere do autismo pelo "marcado déficit no desenvolvimento, com desaceleração do crescimento craniano, perda de habilidades manuais voluntárias adquiridas anteriormente e o aparecimento de caminhada pouco coordenada ou movimentos do tronco. Há retardo intelectual marcado e, muitas vezes, quadros convulsivos".

DISLEXIA
Definição: dificuldade das áreas de leitura, escrita e soletração, resultado de uma alteração na fisiologia cerebral.
Quando surge: identificado tardiamente durante a alfabetização, devido ao atraso no aprendizado.
Semelhanças: na dislexia, ocorrem incapacidades linguísticas. No entanto, diferente do autismo, "não se encontram relacionadas com a presença de incapacidade qualitativa das interações sociais e padrões restritivos", explica Cortez.
Diferenças: não há presença dos padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados características do autismo.

Fonte: Revista Ler&Saber edição Autismo.

Circuito OnLine de Palestras Sobre o Autismo - CONPSAU


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Novo teste quer descobrir se você vive com autismo e não sabe

Você sabia que muita gente convive com o autismo sem sequer imaginar que pode ter essa condição? A maioria das pessoas possui uma imagem pré-concebida dos autistas, como sendo a de crianças com alto índice de inteligência, mas pouca habilidade de interação social.
Porém, o que a muita gente não sabe é que o autismo possui uma variadade muito grande de sintomas e manifestações. Algumas pessoas com grau leve de autismo podem passar a vida toda sem nem imaginar que possuem esse distúrbio neurológico. Mas seria possível identificá-lo depois de adulto?
Cientistas britânicos desenvolveram um teste que pode definir se um adulto possui algum grau de autismo e não sabe. O teste ainda está em estágios iniciais de estudo e requer um maior aprofundamento nos resultados para ser possível determiná-lo como eficiente.
Nem sempre o autismo é detectado na fase infantil

Etapas do teste

Algumas perguntas do teste parecem ser bastante perspicazes para identificar pessoas que vivem com autismo: “Você gosta de organizar os itens em linha ou padrões?”, “Você fica chateado com pequenas alterações nesses padrões?” e “Você arruma esses itens repetidamente?”, são alguns dos exemplos.
Já outras questões tentam identificar um padrão de comportamento, devendo a pessoa responder se há uma identificação grande ou pequena com as afirmações: “Eu prefiro ir a uma biblioteca do que a um jogo de futebol”, “Eu escuto sons que ninguém mais escuta”, “Eu presto atenção em placas de carros ou números que ninguém costuma dar muita bola”, e por aí vai.
Os médicos também pedem que os pacientes descrevam as atividades que faziam quando eram crianças e as que fazem depois de crescidos. A principal vantagem desse tipo de teste é que adultos podem respondê-lo em casa, sem a necessidade de uma consulta médica para saber se elas possuem algum grau de autismo.
Dificuldade de socialização pode ser o sintoma de algum grau do distúrbio

Movimentos repetitivos

Uma das principais características do autismo está no padrão de repetição de movimentos, pensamentos ou comportamentos. Agitar muito os braços, as mãos ou os dedos, ficar obcecado por algum tipo de programa, balançar ou girar o corpo e catar objetos são algumas situações consideradas comuns nos pacientes que tem o distúrbio.
Os médicos acreditam que esse tipo de comportamento repetitivo pode ter duas explicações: prazer e concentração. O prazer está em estimular os sentidos com um padrão aceitável e a concentração está em “anular” outros fatores do ambiente que causam estresse físico ou psicológico nas pessoas com autismo.
Necessidade de padrões e movimentos repetitivos podem indicar algum nível de autismo

“Muitas medidas utilizadas para a investigação e diagnóstico de autismo contam com os pais ou professores para relatar os comportamentos dos indivíduos com o distúrbio. O que nossa pesquisa tem feito é tentar desenvolver um teste no qual os indivíduos podem apresentar um relatório sobre seus próprios comportamentos e como estes os afetam”, explicou a professora Sue Leekam da Universidade de Cardiff e diretora do Centro de Pesquisa de Autismo de Wales.
Entretanto, é preciso ressaltar que a presença de comportamentos repetitivos não é sinônimo de autismo, já que doenças como o Parkinson e o transtorno obsessivo-compulsivo também podem apresentar essas condições. A pesquisa está disponível em inglês neste link. Você pode respondê-la e ajudar os cientistas a aprimorarem o método de autoidentificação do autismo.

Estudante da UFCG vence autismo, se destaca e é promessa na Meteorologia do mundo

Diego Rhamon enfrentou não só o problema, mas o bullying na infância; até ser diagnosticado corretamente, encontrou muitas dificuldades e está pronto para alcançar o topo do mundo; especialista explica sobre o autismo


Foto cedida por Marcelo Zurita
Autismo não impede que Diego alcance o topo do mundo
Um jovem de 21 anos que nasceu em Olinda (PE), mas mora em Campina Grande (PB) desde 2014, é destaque no curso de Meteorologia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), no qual entrou no topo das colocações. Essa poderia ser mais uma história comum, mas é parte da vida de um rapaz portador da síndrome de Asperger (que tem relação com o autismo), que se destaca pela inteligência, superação e promessa de ser um dos mais bem sucedidos meteorologistas do Brasil. Um especialista explica o que é a síndrome e como ela deve ser acompanhada.


Fisicamente, Diego Rhamon é um jovem como qualquer outro. Intelectualmente, por conta da síndrome, tem dificuldades de interação com outras pessoas, fala ao telefone apenas com a mãe, o pai, os irmãos e a avó, e se interessa somente por assuntos considerados por ele como relevantes, a exemplo da Meteorologia e da Astronomia.

Porém, segundo Luciene Reis, mãe de Diego, ele tem um Quociente de Inteligência (QI) que atinge a marca de 144 pontos, o que o coloca com uma inteligência considerada de quase genialidade, também uma das características dos portadores de Asperger.

O começo difícil

Segundo Luciene, o início de vida de Diego, principalmente na fase pré-escolar, foi difícil, cheio de dúvidas e diagnósticos incompletos.

“A luta foi grade. Sempre soube que ele é diferente, mas no início fui procurar especialistas para saber o porquê de Diego ser 'diferente'. Ele ia para a escola e chorava muito quando estava junto dos amigos. Fomos procurando especialistas, psicólogos, pediatras. O pediatra achava que ele tinha algum problema, mas em nível de terapia. A gente procurou a psicóloga e ele começou a fazer a terapia, mas houve uma época que ele passou dois anos sem falar com a psicóloga e tudo era através de gestos”, disse Luciene.

Nos primeiros anos de desenvolvimento, consultas médicas e na escola, Luciene contou que Diego sempre havia sido tratado como uma criança que sofria de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Foi na escola que os primeiros casos de bullying aconteceram.

“Ele passou por diversas escolas, que sempre foram voltadas para religião católica, isso em Olinda, onde ele sofreu bullying pela primeira vez. Foi difícil. Foi quando pegaram um colchão de ginástica de solo, o puseram embaixo e ficaram em cima dele, querendo massacrá-lo. Na época ele tinha dez anos e até hoje lembra de tudo o que aconteceu”, contou a mãe de Diego.

Aos 14 anos, Diego e a família se mudaram para João Pessoa por conta de uma transferência de trabalho. Na Capital, eles também vieram em busca de melhor tratamento médico e de um diagnóstico completo para o caso.

De início, a família de Diego esbarrou no mesmo diagnóstico oferecido pelos outros médicos em Pernambuco, onde relatavam que ele era acometido por TOC. Os diagnósticos de TOC e de outros transtornos continuaram até os 19 anos, quando a caminhada para descobrir o verdadeiro 'problema' de Diego acabou indo parar no Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, na Capital. Lá, o que seria o último recurso para encontrar auxílio para Diego terminou sendo o princípio da descoberta da síndrome.

“Eu já estava cansada de chegar aos consultórios e praticamente eles [médicos] já terem um diagnóstico pronto para Diego. Cheguei para uma médica psiquiatra do Juliano Moreira e disse a ela que não aceitava o diagnóstico dado pelos outros médicos e que queria uma investigação melhor para meu filho. Então, finalmente, encontramos essa psiquiatra que se interessou pelo caso de Diego”, disse Luciene.

Conhecendo o caso, a psiquiatra recomendou que Diego fosse atendido por um ex-aluno seu que ajudou no diagnóstico final de que Diego Rhamon era portador da Síndrome de Aspeger.

Aliado ao novo médico, a mãe de Diego contou que o filho também realizou um autodiagnóstico, a partir de uma reportagem assistida por ele em um canal de televisão. 

“Diego também se autodiagnosticou. Em casa, ele assistiu a uma reportagem sobre o autismo e fez um relato escrito de tudo o que ele é e sentia. Ele levou esse relato para o médico, que leu e iniciou um processo de anamnese mais completa. Foram feitos testes, inclusive o teste de QI, que deu o resultado de 144 pontos, e foi quando detectaram que Diego era portador da Síndrome de Asperger. Diego ficou muito feliz ao ser diagnosticado”, falou Luciene.

A vida em João Pessoa não foi apenas de descoberta da síndrome. Estudando no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), Diego passou pelo segundo caso de bullying em uma instituição de ensino.

“Pela frieza dos colegas de classe, por ele se destacar, ser diferente. Ele foi muito escanteado, deixado de lado pelos colegas, ele não fazia parte do grupo. Houve um dia em que Diego escreveu uma carta contando sobre sua síndrome e pedindo perdão aos colegas por ser diferente. A carta foi lida em sala de aula e foi um momento muito comovente”, contou Luciene.

Entrada na UFCG e o futuro

A ida de Diego Rhamon para Campina Grande aconteceu no início de 2014, fase em que ele já estava aprovado para o curso de Meteorologia na UFCG. 

“Como ele sempre gostou de Matemática, Física, quis fazer o Vestibular. Ele estudou uma semana antes da prova e passou em primeiro lugar”, narrou à mãe de Diego.

Já na sala de aula, Diego começou a se destacar dos colegas por ter conhecimento avançado. Foi abraçado pelos professores e coordenação de curso e colegas de sala. Segundo Enio Souza, um dos professores de Diego Rhamon na UFCG, o jovem portador de Asperger tem potencial para ser um dos grandes meteorologistas brasileiros.

“Diego é um garoto com uma incrível paixão por nuvens e pelos fenômenos atmosféricos a elas associados. Tenho procurado mostrar para ele que, para se aprofundar no conhecimento daquilo que gosta, é necessário assimilar bem as disciplinas do ciclo básico. Diego é uma joia rara. O desafio para os professores é trazer para ele os fundamentos necessários, mas sem podar o seu enorme potencial. Com a orientação correta, não apenas para a vida profissional, mas também para a formação como ser humano, não tenho nenhuma dúvida de que ele tem condições de ingressar em qualquer instituição científica de ponta no mundo”, disse o professor.

De acordo com a mãe de Diego, todo o conhecimento que o filho possui, aliado ao abraço dado pelos colegas, professores e UFCG, terminou com uma indicação para que Diego ingresse no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que fica no município de São José dos Campos, em São Paulo, e é um dos maiores institutos meteorológicos da América Latina.

“Hoje, ele está com o diagnóstico preciso, passou por maus pedaços, mas ele supera tudo. Ele bate no peito e diz que é diferente por ser autista. Em casa, Diego tem uma estação da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon), para detectar meteoros, e se comunica com astrônomos de todo o país. Diego recebeu uma indicação para ir para o INPE, assim que terminar o curso na UFCG. Eu vejo uma ascensão profissional muito grande para ele. Como mãe, me sinto orgulhosa e vou com ele para ajudá-lo. Meu sonho é que o mundo conheça Diego Rhamon, não só pelo que ele é, autista, mas pelo grande profissional e meteorologista que ele vai ser”, falou Luciene Reis.

A síndrome e o acompanhamento

De acordo com Estácio Amaro, psiquiatra com experiência em Transtorno do Espectro Autista, o autismo foi descoberto em 1943, pelo psiquiatra austríaco Leo Kanner. Já a Síndrome de Asperger foi descoberta um ano depois, pelo médico Hans Asperger, também austríaco, e que dá nome a síndrome.

“Asperger é chamada de síndrome, mas na verdade o termo 'síndrome' é relacionado a causas genéticas. Asperger é um transtorno do espectro autista, e é tratada como autismo, por possuir sintomas semelhantes a ele. A cada 70 crianças nascidas vivas uma delas nasce com autismo, sendo que ele é mais frequente em meninos do que em meninas, com uma proporção de cinco casos em meninos para um caso em meninas”, disse Estácio Amaro.

Segundo o psiquiatra, a denominação espectro autista foi a melhor forma encontrada pela medicina para descrever as várias formas de se classificar os transtornos globais do desenvolvimento. 

“Teríamos o autismo clássico, que é aquele que cursa com dificuldade de interação social, tendo isolamento e dificuldade de estabelecer contato visual; comprometimento da linguagem, com atraso significativo ou mesmo ausência da linguagem verbal; e padrões repetitivos de comportamento, interesse e atividades, como o balanceio das mãos ou do corpo ou girar, preocupação com partes de objetos, como preferir ficar girando a roda do carro que empurrá-lo. Já a Síndrome de Asperger difere do autismo por apresentar desenvolvimento da fala no tempo esperado para a idade e inteligência normal ou mesmo acima da média, visto que, no autismo, pode-se ter, em muitos casos, retardo mental associado”, afirmou Estácio Amaro.

De acordo com Estácio Amaro, a demora no diagnóstico pode trazer riscos e prejuízos para a vida dos portadores de Asperger, como incomodo na escola, hiperatividade, ansiedade e grave depressão.

“Os pacientes de Asperger têm a característica de entender assuntos escolares antes de outras crianças e para eles isso é incomodo porque acabam não tendo interesse nos assuntos. Se não houver um acompanhamento inicial pode causar sintomas depressivos, eles ficam agitados, hiperativos, ansiosos. O bullying também é bastante perigoso e pode fazer com que os portadores de Asperger entrem em depressão muito grave, desenvolvendo ansiedade e, raramente, tentando até o suicídio”, contou Estácio Amaro.

O tratamento para os portadores de Asperger são os mesmos indicados para pessoas com autismo, como o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar e a realização de atividades como a psicopedagogia, psicoterapia, fonoaudiologia, equoterapia (realizada com cavalos) e a natação.

BLUE MIND - O GAME DO AUTISMO

Aprendizado, desenvolvimento e diversão para a criança com autismo. Com o app Blue Mind aprender novas habilidades faz parte da brincadeira!

O AUTISMO

Segundo a ONU, o autismo afeta ao menos 1% da população, mais de 70 milhões de pessoas no mundo. Mas o impacto desse grave transtorno atinge os pais dessas crianças, irmãos, avós, colegas da escola, professores profissionais da saúde e todos que convivem com elas.
O autismo é um transtorno pra vida toda, não tem cura, não é uma doença, é um funcionamento diferente do cérebro. Ao receber a notícia que o filho tem autismo, uma família faz de tudo para poder dar a ele a estimulação que necessita para ter autonomia, desenvolver habilidades e para estar incluído na sociedade.

INTERVENÇÃO

A estimulação apropriada pode, sim, propiciar ao indivíduo uma vida muito próxima da normalidade. Especialmente se as intervenções começam cedo, nos primeiros anos de vida. O problema é que a maioria das famílias não tem condições de pagar os altos preços cobrados por especialistas, então seus filhos ficam sem estimulação adequada, perdendo um tempo precioso enquanto esperam na fila por um atendimento público muitas vezes ineficiente.
A saída dos familiares costuma ser recorrer à internet e com práticas instintivas e muitas vezes sem embasamento de especialistas, tentar ensinar o mínimo de autonomia para essas crianças, que precisam de apoio para tomar banho, escovar os dentes, usar o banheiro, sentar-se à mesa, ou brincar com outra criança, por exemplo. Alguns materiais estão disponíveis para serem impressos pelos pais e aplicados nos filhos, enquanto tablets e celulares acabam ficando só para passar o tempo, com games que muito pouco acrescentam ao desenvolvimento deles. 

BLUE MIND

É aí que entra a importância de um projeto como o Blue Mind Game. Com o aplicativo, os pais podem levar aos filhos um jogo interativo, que vai ensinar e divertir ao mesmo tempo, propiciando estímulos que realmente ajudam no desenvolvimento.
A construção do jogo conta com o apoio de especialistas da Saúde e Educação. Este é um projeto de "tudo ou nada", ou seja, caso a meta não seja atingida, os benfeitores recebem a contribuição de volta. Ou seja, é pra já, temos três meses para arrecadar 10 mil reais, o mínimo para darmos início ao nosso projeto revolucionário. Contribua!!! Compartilhe!!! O site:http://bluemind.co/

CONHEÇA A EQUIPE  DO BLUE MIND GAME:

Adriana Czelusniak:  é jornalista, pós-graduada em Gestão da Comunicação Organizacional e em Cinema, formada no curso de Capacitação e Aperfeiçoamento em Transtorno do Espectro Autista pela UFPR e pós-graduanda em Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado para o Autismo. É presidente da associação UPPA (União de Pais pelo Autismo) e mãe do Gabriel, hoje com 10 anos e diagnosticado com autismo aos 3 anos e meio.  No Blue Mind é responsável pela Comunicação e Produção de Conteúdo. Contato: adricze@gmail.com
Gisele Gequelin Rossa: é formada em Administração de Empresas, pós-graduada em Planejamento e Gerenciamento Estratégico e sócia-diretora da empresa Dialog Call Center especializada em RSVP. No BlueMind é responsável pela Gestão Estratégica e Comercial. Contato: gi.gequelin@gmail.com
Giselly Ponciano: é profissional de Marketing e diretora da empresa WDS Tecnologia, especializada em desenvolvimento de software e aplicativos. No BlueMind é responsável pela Gestão de Marketing e de Desenvolvimento. Contato: giselly@wdstech.com.br
Marcelo Gentil: é Engenheiro Mecatrônico e empreendedor na empresa Nutecmar, especializada em robótica. No BlueMind é responsável por Relações Públicas e Gestão Financeira. Contato: mgbacana@gmail.com
 

BLUE MIND NA IMPRENSA

Veja reportagem sobre premiação da Startup Blue Mind em concurso do Sebrae: 

"SEBRAE PREMIA PROJETO DE STARTUP VOLTADA PARA O AUTISMO"

 
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Autismo e macrocefalia; uma nova descoberta

Em 1943, quando o autismo foi descrito pela primeira vez pelo psiquiatra Leo Kanner, os relatórios já sugeriam que algumas crianças com transtorno do espectro do autismo, mas não todas, apresentavam as cabeças relativamente alargadas. Até muito recentemente, mais de meio século depois, a causa exata desse crescimento anormal da cabeça e do cérebro se manteve incerta.
Agora, uma equipe de cientistas publicaram no The Journal of Neuroscience algumas evidências muito interessantes sobre o assunto. Eles discutiram como mutações em um gene de risco para o autismo altera a trajetória básica do desenvolvimento cerebral no início da vida. Foram utilizados para isso modelos animais.

O gene PTEN

Mutado em cerca de 20% dos indivíduos com transtorno do espectro do autismo e que também apresentam macrocefalia (cabeças alargadas), o gene PTEN (homólogo da fosfatase e tensina) foi o foco do estudo.
Parece que essas mutações, que se aproximam daquelas encontradas em um subgrupo de indivíduos com transtorno do espectro do autismo, levam a mudanças dinâmicas no número de dois tipos bem conhecidos de células que compõem o cérebro: os neurônios e as células gliais.
“No cérebro adulto, o excesso de células gliais constitui a principal causa da alteração global no tamanho do cérebro”, disse Damon Page, em relação à sua pesquisa. “Isso levanta a possibilidade intrigante de que esse excesso glial pode, de fato, contribuir para o desenvolvimento anormal, e para a disfunção da circuitaria cerebral, quando o gene PTEN está mutado.”

Explicando a macrocefalia

O cérebro aumentado que a equipe observou nos ratos mutantes é um processo dinâmico; o maior aumento ocorre tanto ao nascimento como na vida adulta, e o menor, no período juvenil precoce. O padrão anormal de crescimento parece ser causado por uma amplificação do processo fisiológico de desenvolvimento cerebral, no qual os neurônios são gerados em excesso antes do nascimento, mas depois acabam tendo seu número ajustado pela morte celular programada (apoptose). As células gliais são geradas após os neurônios.
A apoptose é um fenômeno natural que elimina os neurônios desnecessários durante o desenvolvimento normal do cérebro. Contudo, nos cérebros mutados, ocorre inicialmente um excesso de produção neuronal. Esse fenômeno é então corrigido por uma apoptose também excessiva. Por último, uma quantidade exagerada de células gliais é produzida. Os pesquisadores descobriram que o número de células gliais aumenta em mais de 20% nos modelos adultos estudados”.
autismo macrocefalia
A pesquisa descobriu que mutações no gene PTEN, relacionado a um risco aumentado para autismo, leva a um excesso de produção sequencial de neurônios e células gliais (marcador vermelho fluorescente).
Crédito: Cortesia de The Scripps Research Institute; via Science Daily.
Os cientistas rastrearam esses efeitos através de uma molécula conhecida como β-cateninaPTEN eβ-catenina são duas moléculas importantes que controlam o crescimento do cérebro nos ratos e nos seres humanos em desenvolvimento.

Sobre o transtorno do espectro do autismo

Caracterizado por deficiências sociais e dificuldades de comunicação, comportamentos repetitivos e interesses específicos, bem como atrasos cognitivos em alguns indivíduos, o transtorno afeta aproximadamente 1% da população; cerca de 80% são do sexo masculino.
Curiosamente, apesar dos efeitos profundos que as mutações no gene PTEN ocasionam, os ratinhos foram capazes de se adaptar satisfatoriamente, à exceção do comportamento social e alguns outros comportamentos relevantes que caracterizam a desordem do espectro autista.
Page concluiu: “Embora o crescimento anormal coloca pressão sobre o cérebro em desenvolvimento, ele trabalha duro para compensar isso. Como um indivíduo pode se adaptar a um padrão anormal de crescimento cerebral, ele pode moldar o seu desempenho em termos de comportamento e cognição. A capacidade de adaptação pode, por sua vez, ser influenciada por fatores genéticos ou ambientais.”

Leonardo Faria

Neurocirurgião que atua na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Membro-sócio titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Idealizador e CEO do Grupo MeuCérebro. Diretor executivo do Site e Revista MeuCérebro.